Por um mundo melhor

Se você tem metas para um ano. Plante arroz Se você tem metas para 10 anos. Plante uma arvore Se você tem metas para 100 anos então eduque uma criança “Se você tem metas para 1000 anos, então preserve o meio Ambiente.” Não podemos mudar tudo do mundo num único instante, mais poderemos dar pequenos passos que nos levam a tornar o mundo melhor para as gerações futuras. (Confûcio)

Cadê o rio que estava aqui?


No último domingo, o leito do Negro, que encontra o Solimões em frente a Manaus para formar o rio Amazonas, atingiu o nível mais baixo já registrado, ficando quase quatro metros abaixo da média. Greenpeace / Rodrigo Baleia


Um ano depois que o Amazonas enfrentou sua maior cheia da história, é a vez do Rio Negro encarar a maior de todas as secas. No último domingo, o leito do Negro, que encontra o Solimões em frente a Manaus para formar o rio Amazonas, atingiu o nível mais baixo já registrado, ficando quase quatro metros abaixo da média. Foi nesse cenário, onde imensos bancos de areia surgiram no meio do rio, largos canais viraram estreitos córregos e embarcações ficaram encalhadas, que o Greenpeace estendeu uma faixa para os candidatos à presidência: “Desmatamento zero e energias renováveis já”.

“Está mais do que provado que o desmatamento e o uso de fontes de energia sujas estão umbilicalmente ligadas ao aquecimento global, que provoca mudanças climáticas”, diz o diretor da campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adario. “O problema é que um problema alimenta o outro: mais aquecimento – cuja principal causa é o uso de combustíveis fósseis - aumenta a flamabilidade das florestas e tende a converter a Amazônia num grande cerrado; mais desmatamento aumenta o aquecimento global. E num contexto assim, eventos extremos como o que a Amazônia enfrenta agora acontecerão numa frequência cada vez maior”.

Aparentemente, já estão acontecendo. Em apenas cinco anos, o estado do Amazonas assistiu a duas secas dramáticas – em 2005 e agora – e a duas cheias acima da média – em 2008 e 2009. Para especialistas, a expectativa é que esses extremos ocorressem a cada 50 anos. Mas estão aí. E cada vez que acontecessem, dezenas de municípios entram em situação de emergência, com fortes impactos sociais e econômicos.

Na seca atual, os impactos ambientais são visíveis por toda parte, principalmente nos lagos, hoje secos, onde os peixes se reproduzem e na floresta, cada vez mais inflamável.

“Nos últimos 40 anos, o Brasil destruiu mais de 700 mil quilômetros quadrados de floresta amazônica e é hoje o quarto maior emissor de gases de efeito estufa. Zerar o desmatamento até 2015 é o caminho mais rápido que o Brasil deve tomar para ajudar a frear o aquecimento global”, afirma Adario. “Mas o esforço de derrotar o desmatamento pode ser insuficiente se política energética brasileira continuar a andar na contramão da tendência global, ao incentivar fontes sujas e finitas que jogam toneladas de CO2 na atmosfera”.

Há uma década, a matriz energética brasileira era 92% baseada em fontes renováveis. Hoje, esse índice caiu para 80%, graças principalmente à participação de térmicas a óleo que sujam a matriz e a imagem do país. O Greenpeace tem estudos que comprovam ser factível construir uma matriz energética 100% renovável no fim deste século, sem afetar o crescimento econômico do país, com uma gama maior de fontes como eólica, biomassa, solar e pequenas centrais hidrelétricas.

Porém, os candidatos à presidência, Dilma e Serra, não parecem realmente preocupados com o futuro do país. Durante a campanha eleitoral, nenhum dos dois deu um pio sequer sobre o incentivo às fontes renováveis. Em relação à Amazônia, após pressão da sociedade civil ambos resolveram se dizer a favor do desmatamento zero. Mas não assinaram qualquer compromisso, e tampouco disseram como chegariam lá. Enquanto os dois preferem ficar no discurso, na vida real o rio Negro parece começar a subir de novo. Será para uma nova cheia recorde?



Trinta razões para ser vegetariano


O senso comum diz‑nos e no fundo sabemos que os nossos amigos animais têm o mesmo tipo de sentimentos e desejos que nós e que não devemos matar nem ferir outros para os comermos.

Porque a doença coronária começa na infância
A carne não tem fibras e está saturada de gordura e colesterol, razões pelas quais o pediatra Benjamin Spock, no seu livro Baby & Child Care, desaconselha que as crianças consumam qualquer tipo de carne.

Porque uma dieta vegana faz a doença coronária retroceder
A dieta recomendada pela Associação Americana de Cardiologia, que inclui carne, continua a provocar arteriosclerose, ou seja, o entupimento das artérias, enquanto que a dieta vegana recomendada pelo Dr. Dean Ornish torna as artérias mais saudáveis. Durante um estudo, as pessoas que seguiam a dieta da Associação sofreram um agravamento do seu estado em 28%, ao contrário dos 8% de melhorias constatadas nos indivíduos que adoptaram a dieta do Dr. Dean Ornish.

Porque consumir carne e lacticínios engorda
A população em geral sofre cada vez mais de excesso de peso e a dieta Atkins apenas veio piorar este cenário, pois só resulta a curto prazo. Só 2% de vegetarianos puros sofrem de obesidade, o que representa cerca de um nono do número de obesos omnívoros norte‑americanos.

Porque não devemos mentir às crianças acerca dos alimentos que ingerem
As crianças ficariam aterrorizadas se soubessem da violência e crueldade com que galinhas, porcos e outros animais são transformados em nuggets e outras “comidas”.

Porque em cada embalagem de frango há excrementos
Um estudo do Departamento Norte‑americano de Agricultura revelou níveis assinaláveis da bactéria E. Coli em 98% das carcaças de frangos para assar, o que indica contaminação fecal.

Porque a carne é suja e sangrenta
Nos E.U.A. há todos os anos mais de cinco milhões de casos de doenças transmitidas pela carne, milhares das quais fatais. A carne dos animais acumula gordura e químicos perigosos, entre os quais dioxinas, antibióticos, pesticidas, herbicidas e mesmo as formas mais tóxicas de arsénico.

Porque não é justo
Matar outros animais é um acto de exploração e violência e só o fazemos porque temos esse poder.

Porque nenhuma criatura quer ver a sua família morta
As vacas amam os seus vitelos, as porcas amam os seus leitões e as galinhas amam os seus pintainhos. Os animais amam as suas famílias e sofrem com a sua perda.

Porque consumir carne e lacticínios provoca impotência
Adoptar uma dieta vegetariana é uma alternativa natural ao Viagra, pois antes da acção arteriosclerótica da carne provocar um ataque cardíaco, afecta outros órgãos vitais. Num estudo, ¼ dos homens entre os 40 e 79 anos de idade queixava‑se de disfunção eréctil frequente, enquanto que num outro estudo, metade dos homens acima dos 40 anos tinha alguns episódios de disfunção eréctil.

Porque não comeríamos o nosso cão
A maioria das pessoas mostra-se horrorizada perante culturas onde se comem cães ou baleias, mas estes animais sofrem tanto quanto os animais consumidos usualmente no Ocidente. A diferença é apenas cultural e não moral.

Porque a “doença das vacas loucas” está por toda a parte

Qualquer animal com cérebro pode contrair uma forma da Creutzfeldt‑Jakob e, apesar disso, milhões de porcos e galinhas ainda estão a ser alimentados com os restos mortais de animais doentes, em clara violação das recomendações da Organização Mundial de Saúde e das leis europeias e japonesas.

Porque é violência que pode ser travada
Podemos sentir‑nos impotentes para travar a guerra ou outras formas de violência, mas podemos optar por não apoiar matadouros rejeitando a carne.

Porque ninguém deveria ter que matar para ganhar a vida

Os funcionários dos matadouros são dos que mais sofrem de doenças e ferimentos e este tipo de trabalho destrói o sentido de compaixão de qualquer um.


Porque alguém que bate num animal é mesquinho, mas alguém que o come é‑o ainda mais
Ao comermos carne estamos a pagar a outros para cometerem actos tão cruéis que seriam punidos na maioria dos estados norte‑americanos se cometidos contra cães ou gatos.

Porque nenhum animal merece morrer pelos caprichos do paladar
O desejo momentâneo pelo sabor da carne por parte de um ser humano não é tão importante quanto o desejo de outro animal de não ser torturado nem violentamente morto.

Porque os cereais usados para alimentar animais poderiam ser usados para alimentar pessoas a morrer de fome
80% do terreno norte‑americano arável é usado para criar galinhas, porcos e outros animais; 70% dos cereais são usados na alimentação destes. Se estas quantidades gigantescas de cereais, soja e milho que alimentam os animais de criação intensiva estivessem disponíveis, haveria imensa comida para as pessoas que morrem de fome em todo o mundo.

Porque mais de metade de toda a água usada nos E.U.A. se destina à criação de animais para consumo
Uma dieta totalmente vegetariana carece de 1,2 m3 de água por dia, enquanto que uma dieta que inclua carne exige mais de 1,6 m3 de água diariamente. Este título da revista Times é elucidativo: «Por todo o mundo, à medida que cada vez mais água é desviada para a criação [de gado], porcos e galinhas em vez de ser usada em culturas agrícolas, milhões de poços continuam a secar.»

Porque ninguém pode dizer que é ambientalista se comer carne
Ao canalizar as colheitas e a água para os animais em vez de usar estes recursos directamente é uma das formas mais eficazes de desperdiçar água e de poluir. A indústria de criação intensiva de animais requer mais água do que todos os outros utilizadores juntos e gera 130 vezes mais resíduos do que a totalidade da população norte-americana. Esta indústria também é responsável por mais de um terço da emissão de gases de efeito de estufa provocados pelos combustíveis fósseis nos E.U.A. e já destruiu ¾ do solo cultivável, uma catástrofe ambiental permanente que jamais poderá ser corrigida.

Porque os animais são indefesos
O vencedor do prémio Nobel, Isaac Bashevis Singer, considerou o especismo como a «mais extrema» forma de racismo pois os animais não se podem defender e são vítimas fáceis.

Porque quando os animais sentem dor também gritam

Se os queimarmos, eles sentem; se os sujeitarmos a choque eléctricos, eles sentem. Os animais sentem dor da mesma forma e com a mesma intensidade que os humanos.

Porque os animais não querem morrer

Os animais valorizam a sua vida tal como os humanos.

Porque os animais sentem medo

Os seus pêlos ficam hirtos, urinam e tremem tal como nós fazemos quando nos assustam de morte perante a iminência de sermos feridos ou assassinados.

Porque a carne, esteja cortada como estiver, não deixa de o ser

Os outros animais são feitos de carne, ossos e sangue tal como nós, portanto “carne” é apenas um eufemismo para um cadáver em decomposição usado como comida.

Porque o comércio não é desculpa para assassínio
As indústrias de assassinato em massa de galinhas, porcos e outros animais são gigantescas, mas já é tempo de terem o mesmo destino que o comércio de escravos (que também gozava de fortes incentivos económicos).

Porque nem as prisões estão assim tão sobrelotadas
Os animais da criação intensiva estão tão amontoados em tão pouco espaço que a maioria é impossibilitada de fazer seja o que for de forma natural durante toda a sua existência.

Porque não é para isto que as asas servem
Às galinhas, porcos e outros animais de criação intensiva nunca é permitido que respirem ar puro, que sintam o sol nas costas, que façam ninho, que acariciem as suas crias nem que façam tudo aquilo para que nasceram.

Porque todos queremos ser livres

Reconhecemos o facto de levar o cão ao parque e de deixar o pássaro passar tempo fora da gaiola. Isto também se aplica aos animais de criação intensiva: eles desejam liberdade tal como os humanos.

Porque comer peixe não nos torna vegetarianos

Os peixes têm a mesma capacidade de sentir dor que as aves e os mamíferos e são indivíduos interessantes. Segundo uma crítica publicada na Fish and Fisheries, os peixes são «muito inteligentes»: possuem memória de longa duração e aprendem uns com os outros, usam ferramentas, integram hierarquias sociais e «podem mesmo ser favoravelmente comparados com primatas não‑humanos». A bióloga marinha Sylvia Earle explica que os peixes são seres muito bondosos e curiosos, sensíveis, com personalidade própria e que sofrem quando feridos.

Porque poder não significa rectidão

No nosso desenvolvimento moral enquanto espécie, chegámos a uma fase em que devemos reconhecer que outras espécies merecem consideração, tal como reconhecemos que a escravatura estava errada, que as mulheres mereciam votar e que as crianças não deveriam ser usadas como transporte de cargas.


PORQUE SABEMOS QUE É ERRADO!

Menos falatório, mais ação


Desastres ambientais e desdém com a conservação do planeta marcaram o ano de 2010 – e continuam em 2011. Diante do cenário, é preciso que os governos se mobilizem a favor das pessoas e da natureza.

O ano de 2011 começou com o que já se diz ser a maior tragédia natural em número de mortes da história do Brasil. Mais de 500 vítimas fatais foram contabilizadas, até agora, pela Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro, resultado dos fortes temporais, enchentes e deslizamentos que afetam a serra fluminense. As cidades atingidas não receberam o cuidado devido de seus governos para evitar o caos que se instalou.
Esse cenário, infelizmente, se repete. O ano de 2010 começou com uma tragédia. Em pleno réveillon, um deslizamento de terra matou 45 pessoas na Ilha Grande, no litoral do Rio de Janeiro. As fortes chuvas que atingiram o país no verão passado causaram enchentes e inúmeros outros desabamentos, principalmente nas Regiões Sul e Sudeste, causando mais mortes e deixando desabrigados em várias cidades.

O verão brasileiro é uma estação chuvosa. Com o agravamento das mudanças climáticas, as tempestades podem se intensificar. “Não temos como afirmar que todos esses desastres estão relacionados com mudanças climáticas, mas podemos sim dizer que desastres ambientais como esses se tornarão mais frequentes e mais intensos no cenário de aquecimento global”, explica Marcelo Furtado, diretor-executivo do Greenpeace. “Cabe à sociedade e aos governos tomarem todas as decisões possíveis neste momento para garantir que esse legado de destruição não será deixado para as gerações futuras e tampouco para as comunidades em condições mais vulneráveis neste momento.”

Os governos precisam investir em medidas que evitem novas tragédias a cada verão, com ocupação urbana ordenada e respeito à legislação ambiental, que já prevê a necessidade de manter encostas livres de moradias e com vegetação, além de matas ciliares, para reduzir os riscos de deslizamentos de terra e enchentes.

Mas, em vez disso, o Código Florestal, a lei que protege nossas florestas, sofreu em 2010 fortes ataques de políticos ruralistas. O deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) escreveu uma proposta de mudança repleta de absurdos, como anistia geral e irrestrita a desmatadores e redução da mata ciliar. O texto, por pressão dos ruralistas, esteve na iminência de ser votado pela Câmara no final do ano – o que não aconteceu por resistência de ONGs, inclusive o Greenpeace, que desejam debater melhor um tema tão delicado para os brasileiros. Não é o que os ruralistas querem e a bancada anuncia que pressionará para votar a proposta no início de 2011.

Irresponsabilidade ambiental

O ataque às florestas em 2010, por incrível que pareça, veio também de quem deveria dar o exemplo: o governo federal. Em abril, o leilão de Belo Monte, previsto para ser construído no Rio Xingu, no meio da floresta amazônica, mobilizou ONGs ambientalistas, grupos de direitos indígenas e a sociedade em geral.

A usina será implantada em uma das mais belas regiões da Amazônia, centro de alta biodiversidade no sul do Pará, destruindo 12 mil hectares de floresta intacta. Apesar da oposição de muitos ao projeto, os interesses econômicos se sobrepuseram. “Uma decisão política como essa é um indicador preocupante de que o governo não adota o princípio da precaução”, afirma Furtado. “Com essas liberações como essa, o governo reconhece que não está assumindo a responsabilidade do problema e, mais grave que isso, que está contribuindo para o problema continuar.”

Por pouco o governo não aprova também a construção do Porto Sul, no litoral baiano. A idéia era construir o porto em uma área de grande biodiversidade, o que causaria danos irreparáveis à mata atlântica da região, além de prejudicar os recifes de corais e a reprodução de baleias jubarte, para simplesmente viabilizar a distribuição de minério de uma empresa, a Bahia Mineração. Graças à mobilização local e de ONGs ambientais, entre elas o Greenpeace, o Ibama solicitou um novo estudo de impacto, o que garantiu o adiamento da construção do porto.

No apagar das luzes de 2010, outro baque para o ambiente. Na última semana do ano a exploração de petróleo no arquipélago de Abrolhos, no litoral baiano, foi liberada pela Justiça. A área, com 95 mil quilômetros quadrados, é considerada uma das maiores concentrações de biodiversidade do Brasil. “Se continuar assim, é um indicativo de que a agenda do governo não priorizará a prevenção e o combate de novos desastres em sua política ambiental”, diz Furtado.

2010 no mundo

Não foi apenas o Brasil que sofreu com desastres ambientais e desrespeito à conservação da natureza no ano passado. O desequilíbrio climático contribuiu para piorar as cheias que afetaram o Paquistão por vários meses, consideradas pelo porta-voz da ONU para assuntos humanitários, Maurizio Giuliano, piores que o tsunami de 2004 no Oceano Índico. As enchentes trouxeram destruição para cerca de um quarto do país, afetando mais de 20 milhões de pessoas e causando pelo menos 1.600 mortes.

Além de mortes causadas por temporais somados à falta de estrutura nas cidades para lidar com o problema, houve problemas ambientais provocados pelo homem em 2010 que poderiam ter sido evitados. O caso mais emblemático foi o derramamento de óleo no Golfo do México. No dia 20 de abril, uma ruptura na plataforma da petroleira BP matou 11 trabalhadores e provocou o maior desastre ambiental da história dos Estados Unidos. Por 14 semanas os cientistas calculam que em torno de 172 milhões de galões de óleo foram despejados no Golfo do México.

A pesca foi suspensa por meses, golfinhos, pelicanos e milhares de outros animais foram mortos e quilômetros de praias foram invadidos pelo óleo. O prejuízo financeiro foi de aproximadamente US$ 11,2 bilhões. O ambiental é inestimável.

Em dezembro, a Nasa, agência espacial americana, anunciou que 2010 estava prestes a se tornar o ano mais quente dos últimos 130 anos. A previsão se confirmou na semana passada, quando a agência espacial americana juntamente com Administração Nacional Oceânica e Atmosférica publicou o resultado oficial.

Além de tempestades piores, o desequilíbrio climático também tende a aumentar a frequência e a intensidade de ondas de calor. A Rússia é um exemplo recente, ao enfrentar em julho a pior onda de calor dos últimos mil anos. Áreas conhecidas pelas baixas temperaturas, entre elas a Sibéria, sofreram com temperaturas que alcançaram diversas vezes os 40ºC na sombra.

O calor também trouxe problemas para os oceanos. Informações divulgadas pelo Global Coral Reef Monitoring, órgão responsável pelo monitoramento de corais no mundo, mostraram que as altas temperaturas expõem as barreiras de coral no mundo a um severo estresse, colocando em perigo não só o ecossistema mas também a pesca que alimenta milhões de pessoas. Segundo o instituto, as barreiras de coral próximas à linha do Equador são as mais afetadas. Muitas delas morrem por causa do calor e as que resistem acabam perdendo suas cores e se tornando brancas.

Apesar de todos os desastres e sinais evidentes de que é preciso se mexer para evitar situações ainda mais perigosas, os governos perderam mais uma boa chance. A 16ª Conferência do Clima (COP-16), realizada no fim de 2010 em Cancún, foi cercado de debates burocráticos e terminou sem grandes resultados expressivos.

Mais uma vez os governos adiaram a discussão mais importante – como reduzir a emissão global de gases do efeito estufa, que levam ao aquecimento global. Nem a criação do “fundo verde”, que até 2020 deverá liberar US$ 100 bilhões por ano com o objetivo de apoiar os países em desenvolvimento para se adaptarem às mudanças, foi um grande passo, pois ainda carece de regulamentações importantes para saírem do papel.

Há luz no fim do túnel



Gerar energia próximo ao local de consumo é alternativa para evitar apagão generalizado.

Oito estados do Nordeste passaram até quatro horas sem luz na madrugada desta sexta-feira, dia 04, graças a uma falha técnica em uma subestação de transmissão de energia no interior de Pernambuco, que provocou um efeito cascata de falta de energia na região. O incidente comprova que o Brasil precisa investir em eficiência de geração e distribuição de energia.

Grandes usinas hidrelétricas, em geral distantes dos seus centros de consumo, dependem de estações intermediárias de transmissão para distribuir http://www.blogger.com/img/blank.gifa energia que produzem. O caso do apagão que atingiu Bahia, Alagoas, Ceará, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba mostra que a segurança no abastecimento passa por minimizar este efeito em cadeia, produzindo energia de forma descentralizada.

“Gerar energia mais perto de onde ela será consumida, o que chamamos de geração descentralizada, é a maneira mais segura de garantir que não haverá falta de eletricidade no país”, diz Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha de Energia do Greenpeace. “Além de uma alternativa para o problema de apagões generalizados, a descentralização evita as perdas de energia que acontecem no processo de transmissão e pode garantir fornecimento a um milhão de pessoas que ainda não têm energia elétrica no Brasil”, diz.


A nova versão do relatório Revolução Energética, estudo elaborado pelo Greenpeace, em parceria com especialistas do setor e lançado no final de 2010, mostra como o Brasil pode se tornar 93% renovável nos próximos 40 anos, com investimentos em energia limpa e eficiência. Pelas projeções do relatório, 26,4% da energia que consumiremos será proveniente de solar e eólica. “O Nordeste é a região do país onde o sol e o vento podem gerar mais energia. Com todo este potencial, não faz sentido um defeito de transmissão ser capaz de cessar o abastecimento de oito estados”, conclui Baitelo.

Jogos Ambientais



Eu vi um post no E esse tal meio ambiente? sobre jogos ambientais, e decidi postar aqui alguns para vocês. Mesmo que pareçam meio bobocas e infantis, acho que vale a pena dar checada. Justamente por esse caráter de Educação Ambiental, áqueles que trabalham com crianças. Acho bastante importante começar desde cedo sabendo da necessidade de sustentabilidade. Inclusive, fiquei muito feliz ao ser convidado por um amigo hoje, que é professor, para ir à sua classe falar sobre meio ambiente. A escola tem um papel fundamental no crescimento de inserção da criança na sociedade, e este é um tópico indispensável de ser tratado. Mas deixemos a pedagogia para o Dan, Pedro e Harlan.

Já posso adiantar que tem uns jogos bem legais, e até difíceis:

Jogo 1– uma série de jogos do CONPET: reciclagem, quebra-cabeça, memória, reflorestamento, quiz, etc.
Jogo 2 – jogo do WWF-Brasil sofre economia de energia e eficiência energética. Ajude a diminuir o disperdício em sua casa.
Jogo 3 – vários jogos também: quiz, quebra-cabeça, tabuleiro, etc.
Jogo 4 - esse foi o que mais gostei. Está em inglês, mas é bem fácil de entender. Dá até pra competir e usar com a menidada de casa.

Aproveitem!

Click Árvore



Oi Gente bom dia
tava dando uma passada no site Click Árvore e vi um jogo super interessante
pra quem gosta de Colheita Feliz no orkut, esse jogo é bem parecido e tem uma finalidade muito importante que é ajudar a Mata Atlântica. Funciona mais ou menos assim, você faz um cadastro no site e participa do Desafio Verde e todos os dias irá plantar uma árvore, dessa forma ajudamos a reflorestar a Mata atlântica.
Espero que gostem um enorme beijo pra todos vocês.
ta aí o site:
https://clickarvore2.websiteseguro.com/desafio-verde/

Investir em nuclear é jogo perdido



Ativistas do Greenpeace levaram uma mensagem para as semifinais do torneio French Masters de tênis, pedindo ao patrocinador do evento, o banco internacional BNP Paribas, que abandone o jogo nuclear e deixe de investir na construção de novas usinas, inclusive Angra 3.

Seis ativistas penduraram dois banners de 11 metros quadrados com a frase "Pare os investimentos radiativos" no Palais Omnisport de Bercy. O BNP é o banco que mais investe na indústria nuclear no mundo (foram €13,5 bilhões em projetos nucleares entre 2000-2009) e é parte de um consórcio de bancos franceses que vão financiar, com € 1,1 bilhão, o projeto no Rio de Janeiro.

"Da mesma forma que o BNP Paribas usa seu patrocínio no French Master para fazer propaganda de seus serviços, ele deveria propagandear aos espectadores seus planos de financiar a construção de um perigoso e obsoleto reator nuclear no Brasil", afirma Jan Beránek, coordenador da Campanha de Nuclear do Greenpeace Internacional. "Seus clientes devem considerar se querem ter seu dinheiro investido dessa maneira. Além disso, o BNP Paribas poderia anunciar que promoverá as energias renováveis no Brasil."

A construção de Angra 3 começou em 1984 e foi interrompida em 1986, depois do desastre nuclear de Chernobyl, quando os bancos retiraram seu financiamento de projetos desse tipo. A maioria dos equipamentos que serão usados para finalizar o reator é daquela época, anterior a Chernobyl, e mofa no local há 25 anos. Na França, país-sede do BNP, por exemplo, esse material não poderia ser usado - mas por aqui segurança não parece ser uma preocupação.

Outros problemas demonstram que a construção de Angra não deveria sair do papel. Só existe uma estrada de acesso ao local, que é frequentemente bloqueada devido a deslizamentos de terra. O Brasil ainda não apresentou uma solução permanente e segura para a estocagem dos rejeitos nucleares, assim como nenhum outro país do mundo.

Não houve nenhuma análise adequada de segurança da usina, com violação de normas internacionais. Em julho, um promotor público brasileiro chegou a recomendar à Eletronuclear e à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) que brecassem o projeto.

“O BNP poderia abandonar esse jogo perigoso e se tornar um campeão ao financiar fontes limpas e renováveis de energia", diz Sophia Majnoni d'Intignano, coordenadora da Campanha de Nuclear do Greenpeace na França.

MEIA FLORESTA AMAZÔNICA



O desaparecimento completo da floresta está entre as previsões mais pessimistas. Isso pode acontecer se a temperatura média da região aumentar mais de 5 graus. E essa elevação pode chegar a 8 graus. "Seria um caminho sem retorno", diz Carlos Nobre, climatologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A previsão mais aceita para a região é um aumento de temperatura de cerca de 3 graus até 2100. Nobre afirma que, nessa simulação, a floresta perderia mais da metade de sua cobertura original. "Pode acontecer uma união entre a grande savana da Venezuela e a parte central do Brasil", diz. Seria um campo com algumas árvores, mas dominado por arbustos e capim, bem menos imponente que a floresta atual.
Um estudo realizado em dez anos pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) encontrou algumas pistas sobre como a floresta desapareceria. Segundo o biólogo Daniel Nepstad, coordenador do estudo, a temperatura elevada aumenta os períodos de estiagem. A queda na umidade natural da floresta acaba com o vapor de água da transpiração das plantas, que protege as árvores das queimadas. A vegetação fica mais exposta ao fogo. Como o fogo agrava a seca, cria-se um ciclo de destruição. O baixo nível dos cursos da água pode deixar grande parte da população local com problemas de transporte e alimentação. O desaparecimento de metade da Floresta Amazônica também pode reduzir em até 35% a umidade nas regiões Sul e Sudeste do país, afetando os ciclos de chuvas.

O QUE FAZER
Salvar a floresta depende de algumas ações preventivas. A primeira delas é a criação de mais unidades de conservação, como reservas e parques ecológicos, para conter o fluxo devastador. As pesquisas do Ipam concluíram que a porção mais importante a ser preservada é o sudeste da floresta, entre os Estados do Pará e do Maranhão. "Essa região é fundamental para garantir a umidade, responsável pelas chuvas em toda a Região Norte", afirma Nepstad. Uma segunda ação seria o reflorestamento, com espécies nativas, das áreas já degradadas. "É uma forma de criar um mecanismo para capturar carbono e ao mesmo tempo restabelecer a umidade na região", diz ele. Essas árvores também podem ser utilizadas pela indústria de celulose e nas siderúrgicas. O reflorestamento poder ser intercalado com sistemas de exploração da madeira nativa, a partir de práticas não-predatórias. Mas a ação mais importante é a criação de programas para acabar com a utilização do fogo para limpar o solo. São essas queimadas que saem do controle e carbonizam florestas já fragilizadas. "Sem o combate ao uso do fogo, não há como conservar a Amazônia", diz Nepstad.

NA ROTA DOS FURACÕES


A primeira cena que vem à cabeça quando que se fala em aquecimento global são cidades submersas pela elevação do nível do mar. A imagem da zona sul do Rio de Janeiro alagada é uma possibilidade, mas, se isso ocorrer, dificilmente será antes de 2100. O futuro das casas litorâneas depende do comportamento imprevisível das grandes geleiras da Groenlândia e da parte ocidental da Antártida. Algumas pesquisas mostram que as fraturas na capa de gelo podem provocar um desmoronamento em larga escala, com centenas de quilômetros de extensão, numa questão de meses, a qualquer momento. Se isso acontecer, o nível do mar poderá subir até 12 metros. A melhor comparação é o que houve 125 mil anos atrás, antes da última era glacial. A temperatura da Terra estava em um nível equivalente ao que pode ser atingido no fim deste século. Naquele tempo, a redução dos gelos polares fez o mar subir até 6 metros. Isso bastaria para que as ondas chegassem ao 2o andar de prédios no litoral.

As previsões mais moderadas para o país sugerem a elevação de 58 centímetros no nível do mar. Isso já poderia provocar ressacas mais intensas. "Nesse caso, o mar fica com ondas de 3 metros em cima de uma elevação de até 1,5 metro", afirma Claudio Freitas Neves, pesquisador do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da UFRJ. "Apesar de o mar retroceder depois de algumas semanas, o estrago seria grande", diz Neves. Essas ressacas podem aumentar a erosão em uma grande faixa litorânea do país, acabando com boa parte das praias. Um estudo do Inpe alertou sobre a possibilidade de esse processo causar prejuízos a 42 milhões de pessoas que vivem na costa. Os pesquisadores também chamam a atenção para a possibilidade de ocorrência de ciclones e furacões no Sul e Sudeste, como o furacão Catarina, que assolou o Sul do país em 2004. Esses eventos podem chegar ao litoral de São Paulo e ao do Rio de Janeiro.

O QUE FAZER
Para lidar com isso, o Brasil vai ter de comprar ou desenvolver sistemas de alerta contra furacões, como os usados pelos Estados Unidos e pelo Japão. É uma forma de retirar a população quando a tempestade se aproxima e reduzir, pelo menos, as mortes. Também será preciso investir em estudos sobre o litoral. Um dos principais obstáculos das projeções sobre elevação do nível do mar é a falta de um mapa cartográfico da costa brasileira. "Não sabemos aonde o mar vai chegar, pois não temos dados precisos da topografia de nossas praias", diz Neves. O pesquisador afirma que a grande maioria de cidades e portos brasileiros - como o de Santos e o do Rio - não tem marcações no chão, chamados de marcos topográficos, para assinalar as elevações no solo. "Sem esses números, é impossível pesquisar", diz Freitas.

Como o aquecimento global vai afetar o Brasil E que medidas o país precisa adotar agora para amenizar os impactos negativos das mudanças climáticas.



As mudanças climáticas já se impõem como um dos principais desafios para o Brasil no século XXI. O recente consenso científico sobre o impacto do aquecimento global aponta obstáculos que o país tem de começar a enfrentar desde já. Caso contrário, as conseqüências podem ser devastadoras. Uma boa comparação é o estado febril em uma pessoa. Um aumento de 2 graus Celsius provoca várias perturbações no funcionamento do organismo humano. Os batimentos cardíacos ficam mais lentos e a transpiração aumenta. Se a elevação for de 5 graus, torna-se grave. Com uma febre de 42 graus, como na malária, a pessoa sofre convulsões. Pode até morrer. Com o planeta, acontece algo semelhante. Segundo os cientistas, se a temperatura sobe 2 graus, sistemas de chuvas e secas já se alteram, mas as formas de vida que conhecemos ainda conseguem se adaptar. Com uma elevação de 5 graus, o clima da Terra entra em colapso. Isso exterminaria a agricultura e a pecuária em boa parte das zonas tropicais, inundaria cidades litorâneas e tornaria freqüentes os furacões em quase todos os oceanos, inclusive o nosso Atlântico Sul. Esse cenário preocupante é resultado de uma alteração na atmosfera da Terra. Um conjunto de gases - principalmente o carbônico - regula a quantidade de calor do Sol absorvida pela Terra. A queima de combustíveis fósseis e das florestas vem lançando quantidades inéditas desses gases na atmosfera. Hoje, sua concentração é duas vezes maior que s a dos últimos 650 mil anos. Nesse intervalo de tempo, a Terra atravessou meia dúzia de eras glaciais e esquentou entre elas. Mas o calor que virá agora pode ser maior que o de qualquer desses períodos. O aquecimento já começou. Em 1905, quando a atividade industrial era menor, a temperatura média do planeta era de 13,78 graus Celsius. Hoje, está em torno de 14,50 graus. Até o fim do século, vai crescer para algo entre 16,50 e 19 graus - numa estimativa conservadora.

O prognóstico oficial sobre as conseqüências práticas de um mundo mais quente será divulgado na semana que vem por um painel de cientistas, o IPCC. Coordenado pela Organização das Nações Unidas (ONU), ele concentra uma elite de 2.500 dos principais pesquisadores de mudanças climáticas. Esse comitê, formado em 1988, atualiza as informações sobre o clima e suas conseqüências. Ele avalia milhares de estudos e deles extrai o que há de consenso científico. No início de fevereiro, o IPCC divulgou as previsões sobre aumento de temperatura da Terra. Na semana que vem, um grupo de pesquisadores representantes dos 130 países que integram o painel, reunidos em Bruxelas, na Bélgica, vai descrever como essas mudanças climáticas afetam cada país.

O Brasil deverá sofrer bastante. Estudos realizados por pesquisadores nos últimos meses já revelam o que pode acontecer com nosso país. ÉPOCA ouviu 12 dos principais cientistas que descrevem os impactos sobre nossa geração e a de nossos filhos. Não são previsões infalíveis. Se há praticamente consenso sobre a gravidade do aquecimento global, os cientistas divergem ao especular sobre seus impactos (leia a reportagem à página 72). Apesar do grau de incerteza, essas pesquisas vão nortear as adaptações necessárias para sobrevivermos nesse novo mundo. A seguir, apresentamos as principais ameaças ao Brasil e um levantamento inédito do que deve ser feito para reduzir seu impacto.